sexta-feira, 24 de abril de 2009

STF é uma caixa preta

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), bateu-boca com o ministro Joaquim Barbosa durante a votação de uma ação de inconstitucionalidade, dia 22. A certa altura, alertado para uma questão técnica por Barbosa, Mendes respondeu de forma ríspida: "Quem votou sabia."

- Eu sou atento às conseqüências da minha decisão, das minhas decisões, só isso, emendou o ministro Barbosa.

- Todos nós, ministro. Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém, respondeu Mendes.

- Vossa excelência me respeite. Vossa excelência está destruindo a Justiça deste País e vem agora dar lição de moral a mim. Saia à rua, saia à rua. Faça o que eu faço, continuou Barbosa. Vossa excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite, respeite.

Tudo isso ao vivo, com transmissão pela TV Justiça. O episódio marca o maior bate-boca em plenário da história da Justiça brasileira. Para os mais conservadores, retrata o desrespeito de um ministro para com o presidente do Tribunal. Para outros, a discussão revela a arrogância de Mendes.

O vídeo com imagens do "arranca-rabo", como conta a coluna de Ancelmo Gois em O Globo, é sucesso absoluto no YouTube. Na noite de quinta-feira (23/4), totalizava mais de 180 mil acessos. No site do Globo havia 2,8 mil comentários, a maior a favor de Barbosa.

A discussão também contribui para expor algumas lacunas da suprema corte de Justiça do País. De acordo com o Estadão, Joaquim Barbosa enfrenta um isolamento entre seus pares. Ele teria um histórico de incômodos provocados em seus colegas por causa da insistência em falar do clamor das ruas. Ou seja, causa irritação por querer que os juízes levem em consideração a vida cotidiana da população. Uma heresia!

Finalmente, o caso revela, mais uma vez, a urgente necessidade de abertura da Justiça aos anseios da sociedade. A Justiça precisa ser mais transparente, sentir dor como gente, amar como gente. Viver num mundo paralelo só serve para alimentar vaidades e privilégios.

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