segunda-feira, 20 de abril de 2009

Paulo Renato beira o despeito

O secretário de Educação de José Serra, Paulo Renato Souza, assumiu a pasta recentemente. Ao que tudo indica, para ficar um ano, pois terá de se desencompatibilizar em abril de 2010 caso queira renovar seu mandato de deputado federal pelo PSDB. Serra mudou neste ano os secretários de duas áreas estratégicas e com pífios resultados até agora: Segurança e Educação.

Na posse, Paulo Renato já anunciava a que veio, fazendo críticas ao governo Lula. Quer nacionalizar o debate, de forma a inserir Serra nesse noticiário. Desde então, intensificou os ataques até parecer um despeitado.

O Estadão desta segunda-feira (20/4) revela que o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vai cobrar dos alunos mais "compreensão" das disciplinas e menos "decoreba". Passo importante para o desenvolvimento do raciocínio e capacidade de análise. É tudo que se espera da educação.

Paulo Renato, porém, parece não enxergar isso. Foi incisivo na condenação do projeto de substituição do vestibular pelas notas do Enem. Como lembra Elio Gaspari em sua coluna no domingo, Paulo Renato foi durante sete anos ministro da Educação de FHC, criou o Enem, mas não formulou sua proposta para eliminar o vestibular. Tarso Genro, dez meses depois de assumir a Pasta colocou o ProUni para funcionar. Bastou vontade, segundo Gaspari.

Paulo Renato, como se vê, surge para fazer críticas de olho nas chances de seu chefe em 2010. Deveria olhar melhor para a secretaria que acaba de assumir pela segunda vez. Afinal, todos os dados disponíveis revelam péssimo desempenho das escolas públicas do Estado, mesmo depois de 27 anos que a turma de Paulo Renato chegou ao poder em São Paulo.

Se Paulo Renato parece ter sido relapso para melhorar o nível da educação no Estado, não se pode dizer o mesmo na sua defesa do interesse dos banqueiros. Todo mundo deve lembrar do episódio revelado pela Folha, há cerca de dois anos, salvo engano: requisitado para escrever um artigo, o economista Paulo Renato Souza enviou-o por e-mail à redação do jornal. No corpo do e-mail foi possível constatar que antes o mandara para apreciação e aprovação do presidente do Bradesco, então Marcio Cypriano. O banco financiou a candidatura do deputado Paulo Renato.

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