O detalhe que ninguém aponta é que, na reação de parlamentares, do presidente do STF e de membros do Executivo não se vê a menor chance de a população responder um sonoro "não" ao senador. Ou seja, estão todos convencidos de que o plebiscito seria a chance de ouro para a socieade "se vingar" do Congresso.
A proposta do senador deve ser resultado de um momento de indigação. Mas toda a sociedade anda indignada com o que se descobre diariamente sobre o Congresso. Produtivamente, os parlamentares têm se mostrado uma nulidade. Mas para montar esquemas de desvios de verbas públicas, são todos muito ágeis e produtivos.
Já foi dito aqui que a disputa do grupo dos senadores José Sarney e Renan Calheiros pelo comando do Senado, tendo como adversário o petista Tião Viana, deixou um rastro de ódios que levam a denúncias diárias de irregularidades cometidas na Casa. O diretor-geral foi defenestrado. E com ele parece ter saído um exército de 181 outros diretores.
O último episódio dessa longa série de descalabros está hoje nos jornais: a sogra de um assessor de Renan é funcionária fantasma no gabinete do senador. Ninguém nunca viu a tal de Amélia Pizatto por lá, mas ela embolsava R$ 4.900 por mês. Pelo menos dessa vez revelou-se o salário da fantasma. A filha de FHC, flagrada na mesma condição no gabinete de Heráclito Fortes, do PFL, ninguém se atreveu a contar quanto ganha.
Comer em casa
Os parlamentares, na verdade, não precisam de denúncia para arranhar a imagem do Legislativo. Eles mesmos tratam de promover notícias que os desabonam. É o caso do pedido de reembolso de despesas com alimentação feito pelos deputados. É um escárnio.
A Mesa Diretora da Câmara autorizou o uso de parte da verba indenizatória para cobrir essas despesas. Em viagens ao Estado de origem do deputado. Os parlamentares já tinham direito ao reembolso de despesas com hospedagem e combustível nessas viagens. Ou seja, quando vão para suas casas. E pediram que a alimentação também fosse incluída no pacote.
O presidente da Câmara, Michel Temer, adotou um discurso achando que todo mundo é bobo. "Verifica-se a eliminação de uma parcela de gastos referente a alimentação, só se permitindo no Estado do parlamentar. Fora do Estado, não há como autorizar." Ah bom.
A proposta de Cistovan só reforça a ideia de que os parlamentares estão jogando um jogo perigoso. Ou tomam uma atitude, ou acabam levando o País para um rumo cavernoso.
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