quarta-feira, 1 de abril de 2009

O cômico ambulante

A imprensa tem confundido mais do que explicado na cobertura da Operação Castelo de Areia, na qual a Polícia Federal apura ilícitos que teriam sido cometidos pela Construtora Camargo Corrêa, como lavagem de dinheiro, remessa ilegal para o exterior e financiamento de partidos políticos "por fora", ou seja, com caixa dois.

De acordo com a PF, a lista de beneficiados inclui PSDB, DEM e PPS, entre outros partidos. Estão, portanto, os expoentes da oposição, que reagiu pedindo explicações sobre o motivo da exclusão do PT. A alegação é que "todo mundo sabe" que a Camargo contribuiu para campanhas de todos os partidos.

Nesse sentido, a imprensa colaborou para estabelecer a confusão que interessa à oposição. Donos de todas as bandeiras éticas e morais do País, tucanos e demos esqueceram-se de olhar no espelho. Nada melhor, então, do que tentar provocar a confusão incluindo o PT na lista.

Justiça seja feita, o papel mais honesto nessa história foi escrito pelo Estadão, que na edição desta quarta-feira (01/4) explica que, segundo a PF, a lista inclui as suspeitas de irregularidades, de caixa dois. As demais contribuições estão registradas pelo TSE e não precisam ser listadas por polícia nenhuma, são legais. Faz sentido. Aliás, sempre fez, mas imprensa e oposição preferem não ver assim.

Quem também opta por enxergar errado, mais uma vez, é o presidente do STF, Gilmar Mendes. Cabotino, acusa o Ministério Público de ser parceiro da PF em "abusos". E vai além: avalia que o controle externo da Polícia Federal deve ser feito pelo Judiciário, e não pelo Ministério Público. Uma graça. O rato tomando conta do queijo. Falta perguntar: e quem toma conta do Judiciário? É o que Gilmar Mendes pretende: reinar sozinho.

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