Mais um capítulo da interminável série de escândalos do Senado: Tasse Jereissati (PSDB-CE) usa parte de sua verba oficial de passagens aéreas para fretar jatinhos. Tudo com recursos do Senado. Há registros de voos no eixo Rio-São Paulo, longe, portanto, do domicílio eleitoral do parlamentar, conforme denuncia a Folha.
Ao jornal, o senador reconhece a prática, diz ter conseguido autorização do antigo diretor-geral da Casa, Agaciel Maia - defenestrado há 15 dias. Teria sido avalizado também pelo primeiro-secretário, Efraim Morais (DEM-PB), que ocupou o cargo de 2005 a 2008.
No total, Tasso Jereissati, que é prprietário de um jatinho particular, teria consumido R$ 469 mil nos últimos quatro anos. Ao que tudo indica, porém, o caso não dará em nada. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), alega que os senadores têm liberdade de usar a verba como quiserem. Além disso, o regimento do Senado não proíbe o uso da verba. “A questão ética é pessoal”, disse Tuma.
O caso, entretanto, deixa algumas questões em aberto. Primeiro, que reforça o desgaste que os parlamentares estão causando à instituição, que poderia acabar e ninguém sentiria falta. Segundo, que revela total falta de compromisso de determinados parlamentares com os gastos públicos e deixa uma porta escancarada para a exploração de aproveitadores pela total ausência de regras da Casa.
Por fim, evidencia que os tucanos perdem o trapo de bandeira de ética que ainda empunhavam. Tasso Jereissati reconhece que a quantidade de jatinhos fretados é maior em 2005 e 2006, período em que presidiu o PSDB. Ou seja, assume que o dinheiro público destinado pelo Senado bancou sua atividade partidária. E não se pode esquecer que aquele período foi o auge das denúncias do mensalão. Enquanto acusava o governo, Tasso voava de jatinho pago com dinheiro público. Ético.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
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