É incrível, mas a Folha tem conseguido adotar uma linha editorial mais equilibrada do que o Estadão nos últimos dias. A edição desta terça-feira revela traços de uma tendência errática do jornal da marginal sem número, em contrapartida de uma Folha com leve preocupação em mostrar-se atenta às notícias boas e ruins.
"Perdas bancárias provocam onda de baixa nos mercados" é a principal manchete do Estadão de hoje. Em torno dela, chamadas do tipo "Projeto em SP acelera recursos contra o Fisco" e "Estado fará 8 penitenciárias especiais para mulheres". Ambas em favor do governador José Serra. Claro, há destaque também para as mudanças anunciadas no governo cubano, eterno "inimigo" da influente família que comandou o jornal. Não há nenhuma chamada para notícias consideradas positivas na área econômica.
A Folha não esconde que "Venda de carros em fevereiro é maior do que a do ano passado" e que "Balança comemrcial volta a ter superávit no mês passado". Claro, a manchete é factual, com a queda dos mercados. Mas na capa ainda há espaço para a manifestação do presidente Lula, para quem o argumento do MST para mortes [legítima defesa] é "inaceitável".
Na capa da Folha ganha destaque também a chamada para o arrastão que bandidos fizeram num edifício de Perdizes. O caso é editado na abertura do caderno Cotidiano, o que amplia sua atratividade aos leitores. O Estadão não tem chamada de capa e opta por publicar reportagem sobre o caso no interior do caderno Metrópole.
Claramente, o jornal da marginal sem número (uma alusão ao fato de a sede do Estadão estar na marginal Tietê, mas seus dois endereços são as transversais) tem se esforçado em acirrar o contexto da crise em "mostrar" realizações do governo estadual. Espertamente, diga-se, sem referências pessoais ao governador.
Segundo comenta-se no mercado, em janeiro o governo do Estado "bancou" parte da arrecadação dos jornais, principalmente da Folha. Como já foi dito, a política de alimentar a crise foi um tiro no pé, pois a primeira reação do empresariado é cortar gastos considerados supérfluos, onde se encaixa a publicidade. Pode estar acontecendo o mesmo com o Estadão agora.
terça-feira, 3 de março de 2009
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