terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Por que PM nos estádios?

O jogo entre São Paulo e Corinthians, no domingo (15), quase se transformou em carnificina. Mas o pior é que até crianças que acompanham o noticiário esportivo sabiam que algum confronto aconteceria naquele dia. A decisão do Tricolor, de reservar apenas 10% das aquibancas à torcida "visitante" irritou os corintianos. O clima estava tenso ao longo de toda a semana que antecedeu a partida. Portanto, faltou prevenção de todos os envolvidos.

Somente hoje os jornais revelam que o São Paulo mandou fazer muros nos corredores de acesso à arquibancada, afunilando-o à metade. E sem autorização do Contru. A obra serviu para agravar as consequências do conflito entre a torcida "visitante" e a Polícia Militar ao final da partida.

Muito se tem falado sobre o caso. As acusações mútuas entre os dois clubes não ajudam em nada e revelam que nenhum dos dois quer encontrar uma solução. Preferem alimentar a rivalidade a revelar um ambiente mais atraente para a torcida que quer ir ao estádio em paz.

Muito se tem falado também sobre os desarranjos no mundo do futebol, com dirigentes despreparados, denúncias de desvio de recursos, uma lei que não favorece a manutenção de bons jogadores no País. Enfim, erros não faltam, e ficaríamos meses aqui discutindo-os.

Tudo isso contribui para que os ânimos estejam mais acirrados nos clássicos, não só em São Paulo, mas em todo o País. No domingo, um torcedor do Atlético foi assassinado quando ia ao Mineirão para assistir ao clássico com o Cruzeiro.

A questão da segurança pública e a violência desenfreada no País são outros pontos que só ajudam a afastar os pacíficos dos estádios.

Por tudo isso, é preciso colocar o dedo na ferida: por que a PM deve estar dentro do estádio? Por que o Estado tem de arcar com essa responsabilidade? Por que o meu, o seu, o nosso dinheirinho tem de financiar essa estrutura de segurança dentro dos estádios?

Como qualquer outro evento privado, os jogos deveriam contar com segurança contratada pelo organizador. A PM se limitaria à parte externa, as ruas, como é sua atribuiçã. Dentro de um estádio, privado, não faz sentido ter policial militar, que além do mais está cansado de provar não ser capacitado para tratar disso.

A partir do momento que os dirigentes assumam, com contratação de terceiros ou não, a responsabilidade pela segurança dentro dos estádios, serão mais prudentes nas declarações e nos atos, serão mais zelosos e cuidadosos.

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