quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Ditabranda" revela perfil da Folha

Na semana passada, em editorial sobre o plebiscito que concede a Hugo Chávez a chance de se perpetuar no poder na Venezuela, a Falha de S. Paulo classificou o regime militar brasileiro de "ditabranda". A "piada" sem graça, de muito mau gosto, motivou reações de leitores e levou o jornal a entornar o caldo.

Dois dias depois do espisódio, publicou carta assinada pelo advogado Fábio Konder Comparato e pela historiadora Maria Vitória Benevides classificando de absurda a nomenclatura utilizada no editorial. Para eles, que enfrentaram de frente a truculência assassina dos militares, seria o mesmo que classificar a escravidão brasileira de "doce", dada a relação íntima entre casagrande e senzala.

O pior estava por vir. Em tréplica, a Folha se diz aberta a publicar as críticas de leitores. Quanto aos professores Comparato e Benevides, "figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua 'indignação' é obviamente cínica e mentirosa".

A resposta estapafúrdia, grosseira e ignorante tem a cara de Otávio Frias Filho, figura mal-humorada, triste e infeliz. Se irritou por não ter lido o editorial e ter dado no que deu e resolveu descascar pra cima de duas figuras ilustres. Como se diz no jargão popular, quis crescer pra cima dos intelectuais, ele que tanto gostaria de ser um.

Isso porque os professores criticaram o termo usado em editorial. Imagine se tivessem dito alguma coisa sobre a utilização de carros de entrega de jornal, nos anos da ditadura, para levar os cadáveres produzidos pelos militares. A truculência da Folha justifica sua identificação com o regime das botas e fuzis.

Não é a primeira vez que a Folha, ou um dos seus, reage de forma tão estúpida. Recentemente, Clóvis Rossi praticamente chamou um leitor, em e-mail de resposta, de "imbecil" por tê-lo questionado. O pessoal do jornal está ainda mais nervoso. Talvez porque esteja vendo que a eleição não será a barbada pró-Serra que esperava. Ou porque há questionamentos crescentes, coforme revelavam pesquisas, da qualidade do trabalho desenvolvido pelo jornal.

Um comentário:

Carlos Motta disse...

Fernando,
a Folha publicou, sem resposta, cartas dos professores Comparato e Maria Victoria Benevides repudiando os insultos e reiterando as posições que sempre assumiram contra a ditadura.
Será que sentiram o golpe - ou seja, as inúmeras manifestações de leitores, assinantes e cidadãos em geral contra o disparate?
Abraços.