O noticiário econômico no Brasil parece desconexo da realidade e desorientado. Os jornais não chegam a uma conclusão se a economia brasileira está bem ou sofre de alguma anomalia comprometidora. Não há dúvidas de que o mundo vive uma situação crítica, mas até que ponto a turbulência arrasta a saúde das finanças nacionais é uma interrogação que a mídia não decifra. Na dúvida, porém, prefere apostar na crise.
Há indicadores tranquilizadores e convicção de que algumas empresas se aproveitam do ambiente para enxugar custos e ignorar o brutal lucro acumulado em 2008. O que prevalece é a vontade de falar mal da conjuntura para ver se compromete a imagem do governo.
Isso fica evidente no noticiário desta terça-feira. O destaque das seções de economia são as manifestações do presidente Lula, as primeiras depois de 15 dias. Ele reconhece que o primeiro trimestre pode ter mais impactos da crise sobre a economia brasileira do que o observado até agora. Mas antecipa que não faltará dinheiro para investimentos públicos. Além disso, promete incentivar o setor privado a fazer o mesmo. A empresários, em São Paulo, disse que o governo deverá anunciar novas medidas de prevenção contra os efeitos da crise global ainda neste mês.
A notícia de que o Brasil, porém, deve ser um dos países menos afetados pela crise não ganha grande destaque nas edições dos jornais. Segundo estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil permanece como a única entre as economias mundiais que continua com um cenário positivo.
"Como ocorre desde setembro, quando a crise mundial se agravou, o Brasil é o único país com cenário positivo, mas sua pontuação recuou pelo quarto mês consecutivo", conforme relata a Folha. Mas o título da matéria do jornal é surreal: "Brasil está próximo de desaceleração, diz OCDE". No texto, acrescenta: "... o organismo [OCDE] considera que o Brasil tem um cenário de inflexão, ou seja, continua a crescer, mas a curva aponta para uma perda de ritmo".
A Folha força a barra, claramente. Tanto assim que a notícia está escondida em pé de página no caderno Dinheiro. Se o jornal acreditasse realmente no título que publicou, o teria editado em manchete de página. Todos os outros jornais nacionais (Estadão, Valor e O Globo) registram objetivamente o bom resultado alcançado pelo País até agora.
A má vontade da Folha com o governo Lula é histórica. Assim como a boa vontade com José Serra.
Propaganda de Serra
Na segunda-feira, o articulista Fernando Rodrigues escreve na página 2 sobre os gastos com publicidade feitos pelos governadores Aécio Neves e José Serra, de olho em 2010. Revela que a Sabesp gastou R$ 28,3 milhões em 2008, até novembro. Segundo ele, soma quase equivalente aos R$ 34,7 milhões gastos pelo governo de Minas. Acrescenta que a Sabesp fez publicar anúncios em veículos de comunicação de Manaus, Teresina e Salvador, entre outras cidades. "A Sabesp serrista parece ter planos expansionistas de fazer inveja a Solano López", comenta o articulista.
Cabem as perguntas: é normal uma estatal como a Sabesp, fornecedora de água e de serviços de tratamento de esgoto, divulgar suas realizações em outros Estados? E com recursos públicos? Isso não deveria ser ponto de "denúncia" para ser levada para a pauta do jornal, para as devidas apurações? Se fosse uma estatal federal, o fato também seria ignorado pela Folha?
É importante acrescentar que a Sabesp tem uma gestão monetarista. Pouco fala sobre a importância da economia de água, o que levaria a contenção de gastos por parte do consumidor e à queda de faturamento da companhia. Lamentável! Uma visão obtusa, pequena, mas que fortalece o caixa da estatal para fazer campanha para o governador.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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