quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lula e a imprensa

O presidente Lula deu uma rara entrevista exclusiva - as coletivas e declarações a jornalistas têm sido mais comuns desde o terceiro ano de mandato. Desta vez, à revista Piauí que está nas bancas. Entre outras coisas, o presidente disse que não está nem aí para a imprensa brasileira. A meia dúzia que controla a mídia no País parece não ter gostado. O noticiário sobre a entrevista ainda é factual, mas já deixa transparecer uma pitada de crítica. Falta pouco para dizerem que Lula prova ser um "ignorante".

Segundo Lula disse à revista, a imprensa brasileira "tem um comportamento histórico em relação a mim". E recorre à ironia ao revelar que não lê jornais nem revistas: "Tenho problema de azia".

O blog de Ricardo Kotscho aborda a questão hoje. Vale a pena uma leitura. Próximo de Lula há décadas e seu ex-assessor de imprensa no Planalto, o jornalista confirma que o presidente de fato não lê os jornais, com exceção rara às páginas de esportes. Mas nem por isso deixa de ser extremamente bem informado. Lula dispensa intermediários e vai direto à fonte.

Kotscho confirma, também, que o presidente não se pauta pelo noticiário. Lula está certo, mas poderia estar ainda melhor caso levasse mais a sério a necessidade de interagir com a imprensa. Todos concordam que a mídia brasileira é partidária, por mais que os empresários do setor e seus asseclas tentem negar. Mas os veículos acabam falando com alguma parcela da sociedade. Cada vez menos, e concentradamente nas elites do Rio e São Paulo, também é verdade.

Ao que parece, e Kotscho concorda, a relação do presidente com a imprensa melhorou, especialmente depois que Franklin Martins assumiu a área de comunicação do governo. É profissional, do ramo e com bom trânsito entre os coleguinhas. E rompeu com uma lógica louca que prevalecia na Secom: deixar a "imprensa burguesa" falar o que bem entender.

Não se trata de querer mudar a imprensa. Longe disso, pois os jornais refletem a opinião conservadora e preconceituosa da elite brasileira. Porém, em respeito ao leitor, é sempre conveniente que o governo se faça ouvir. Deixar que as versões se irradiem ao gosto dos adversários parece uma tática perigosa demais. Em caso de algum tropeço, não há popularidade presidencial que resista à onda de versões. O caso do mensalão está aí para provar.

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