Muita gente já reparou: a Folha tem sido muito mais crítica a Gilberto Kassab, o prefeito do PFL. A razão: setores do PSDB teriam identificado um movimento kassabista de rebeldia e tentativa de tomar pulso de sua gestão na Prefeitura. E mais: teriam identificado um movimento para fazer de Kassab candidato a governador. Foi o suficiente para Serra dar a ordem de cortar as manguinhas do prefeito.
Melhor para nós. Hoje, o jornal destaca, na manchete do caderno Cotidiano 2, o abandono das obras de uma creche na Zona Leste. Até as eleições, ela estava a todo vapor. Às 17 horas do dia 26 de outubro, quando fecharam as urnas do segundo turno, a creche virou ficção.
Projetada para abrigar 160 crianças, a creche já deveria ter sido entregue em agosto, prazo que acabou passando para o dia 10 de dezembro. Em vez de crianças, dos filhos de trabalhadores de região tão carente, o que restou da obra abriga mendigos e consumidores de drogas, segundo relata a reportagem da Folha. Além disso, foi saqueada.
Não se pode esquecer que São Paulo precisa de 80 mil novas vagas em creches. E que o prefeito do PFL prometeu, durante a camapnha, que zeraria esse déficit. Começou bem, enganando a população
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
A aprovação de Lula
A manchete da Folha de hoje ("Aprovação de Lula bate novo recorde") pegou muita gente de surpresa. Outros tantos apostam que há algo errado. De acordo com o levantamento, 70% da população acha que o presidente faz uma gestão ótima ou boa. O índice de ruim/péssimo é de 8%. Isso num período em que os reflexos da crise financeira global parecem ser mais intensos no Brasil. E ninguém pode alegar que os entrevistados não sabem do que estão falando. Segundo a pesquisa, 72% têm conhecimento da crise.
Como observa Ricardo Kotscho em seu blog, é de se imaginar a cara dos editores da Folha quando fizeram ou quando viram a manchete de hoje. Afinal, o jornal busca notícia ruim para colocar na capa. E esse não é um privilégio da Folha. Todos os veículos de comunicação intensificaram as críticas ao governo e ao presidente nos últimos meses.
O objetivo primeiro era tirar força dos candidatos do governo na eleição municipal. O segundo é minar Lula em 2010. Para tanto, jornais e aquela emissora de televisão se esforçam nas críticas, editorializam a cobertura econômica, cedem espaço para os abutres. Mídia e oposição estão juntos no ideal do quanto pior, melhor.
Mais uma vez, esqueceram de combinar com a opinião pública. Há um enorme descolamento entre imprensa e população. Já foi assim às vésperas da eleição de 2006, quando Lula apanhou mais do que cavalo empacado e acabou vitorioso, com alguma folga.
Coisa de pobre? - Os tucanos, além de surpresos, devem estar torcendo o nariz para o povo. Muitos repetem a lógica torta do preconceito, apelando para a ignorância alheia como razão de tamanha disparidade entre o que pensam e o que a pesquisa revela.
Outro engano. Afinal, segundo o Datafolha, a aprovação de Lula cresceu em todas as regiões do País, entre pessoas de todas as camadas sociais, de todos os níveis escolares e de renda. Mas o avanço mais significativo foi entre mais jovens e mais escolarizados, e moradores do Sudeste.
O descolamento da mídia se evidencia em outro aspectos. Se há predomínio de notícias ruins nos últimos dois meses, se a imprensa execrou o presidente por causa da "marolinha", também não combinou com o povo. Ainda segundo o Datafolha, a despeito de todo o cenário cabernoso desenhado pela mídia, a expectativa continua sendo de otimismo em 2009. Para 78% dos entrevistados, a vida vai melhorar no ano que vem.
Embora seja motivo de comemorações no Planalto, esse resultado deixa um alerta: quanto maior o salto, maior o tombo. O governo terá de trabalhar duro para evitar uma grande decepção. Fica o desafio.
Como observa Ricardo Kotscho em seu blog, é de se imaginar a cara dos editores da Folha quando fizeram ou quando viram a manchete de hoje. Afinal, o jornal busca notícia ruim para colocar na capa. E esse não é um privilégio da Folha. Todos os veículos de comunicação intensificaram as críticas ao governo e ao presidente nos últimos meses.
O objetivo primeiro era tirar força dos candidatos do governo na eleição municipal. O segundo é minar Lula em 2010. Para tanto, jornais e aquela emissora de televisão se esforçam nas críticas, editorializam a cobertura econômica, cedem espaço para os abutres. Mídia e oposição estão juntos no ideal do quanto pior, melhor.
Mais uma vez, esqueceram de combinar com a opinião pública. Há um enorme descolamento entre imprensa e população. Já foi assim às vésperas da eleição de 2006, quando Lula apanhou mais do que cavalo empacado e acabou vitorioso, com alguma folga.
Coisa de pobre? - Os tucanos, além de surpresos, devem estar torcendo o nariz para o povo. Muitos repetem a lógica torta do preconceito, apelando para a ignorância alheia como razão de tamanha disparidade entre o que pensam e o que a pesquisa revela.
Outro engano. Afinal, segundo o Datafolha, a aprovação de Lula cresceu em todas as regiões do País, entre pessoas de todas as camadas sociais, de todos os níveis escolares e de renda. Mas o avanço mais significativo foi entre mais jovens e mais escolarizados, e moradores do Sudeste.
O descolamento da mídia se evidencia em outro aspectos. Se há predomínio de notícias ruins nos últimos dois meses, se a imprensa execrou o presidente por causa da "marolinha", também não combinou com o povo. Ainda segundo o Datafolha, a despeito de todo o cenário cabernoso desenhado pela mídia, a expectativa continua sendo de otimismo em 2009. Para 78% dos entrevistados, a vida vai melhorar no ano que vem.
Embora seja motivo de comemorações no Planalto, esse resultado deixa um alerta: quanto maior o salto, maior o tombo. O governo terá de trabalhar duro para evitar uma grande decepção. Fica o desafio.
A falência das polícias
Às vésperas da eleição municipal, uma manifestação de policiais civis em greve, na porta do Palácio dos Bandeirantes, acabou em pancadaria. A cena causou desgaste ao governo de José Serra e deverá ser mais amplamente explorada em 2010. A greve e a manifestação são emblemáticas: revelam o grau de degradação que atinge as polícias paulistas.
Com salários baixos, os menores do País, condições de vida precárias e equipamento sucatado, os policiais acabam seguindo caminhos tortuosos. São recorrentes as denúncias de corrupção e outros crimes. E quem acaba pagando o pato é sempre a sociedade.
O problema é que as autoridades não são vítimas dessa situação, assim como o andar de cima, como diria Elio Gaspari. Nos dois casos, são pessoas que contam com segurança particular, bem paga e melhor armada do que a segurança pública. Talvez nem saibam o que está acontecendo no andar de baixo.
Exemplo do grau de degradação no atendimento à população é o que ocorre no litoral de São Paulo. Os casos de violência se multiplicam a cada ano. A região cada vez mais se torna terra de ninguém. Nem mesmo os condomínios fechados e teoricamente bem guardados são preservados.
Não se pode esperar uma ação rápida da polícia. Uma família assaltada na Ilhabela ficou sob a mira de um revólver, 9 horas da noite, dentro de casa. Viu os bandidos levarem tudo, inclusive o carro. Os assaltantes ficaram na fila da balsa, única forma de sair da ilha, pegar a estrada, rodar 130 km, passando por várias prais, vilas e cidades, até deixarem o carro roubado no Guarujá. A viagem leva cerca de três horas. Não foram "incomodados" pela polícia em nenhum momento.
Outro caso é absurdo: na região entre Bertioga e São Sebastião, se precisar da polícia, não adianta usar o celular para ligar 190. A ligação cairá em Santos e o atendente dirá que não pode fazer nada. É preciso procurar um telefone fixo, ou um orelhão, o que é mais comum na região, para que a ligação caia em São Sebastião e a polícia possa "agir". Muito bom. Muito bom , mesmo. Se você estiver sob ameaça de invasão da sua casa, corra, reze, se finja de morto. Dê um jeito. Se vire.
Isso tudo, depois de 26 anos de governo do PSDB no Estado.
Com salários baixos, os menores do País, condições de vida precárias e equipamento sucatado, os policiais acabam seguindo caminhos tortuosos. São recorrentes as denúncias de corrupção e outros crimes. E quem acaba pagando o pato é sempre a sociedade.
O problema é que as autoridades não são vítimas dessa situação, assim como o andar de cima, como diria Elio Gaspari. Nos dois casos, são pessoas que contam com segurança particular, bem paga e melhor armada do que a segurança pública. Talvez nem saibam o que está acontecendo no andar de baixo.
Exemplo do grau de degradação no atendimento à população é o que ocorre no litoral de São Paulo. Os casos de violência se multiplicam a cada ano. A região cada vez mais se torna terra de ninguém. Nem mesmo os condomínios fechados e teoricamente bem guardados são preservados.
Não se pode esperar uma ação rápida da polícia. Uma família assaltada na Ilhabela ficou sob a mira de um revólver, 9 horas da noite, dentro de casa. Viu os bandidos levarem tudo, inclusive o carro. Os assaltantes ficaram na fila da balsa, única forma de sair da ilha, pegar a estrada, rodar 130 km, passando por várias prais, vilas e cidades, até deixarem o carro roubado no Guarujá. A viagem leva cerca de três horas. Não foram "incomodados" pela polícia em nenhum momento.
Outro caso é absurdo: na região entre Bertioga e São Sebastião, se precisar da polícia, não adianta usar o celular para ligar 190. A ligação cairá em Santos e o atendente dirá que não pode fazer nada. É preciso procurar um telefone fixo, ou um orelhão, o que é mais comum na região, para que a ligação caia em São Sebastião e a polícia possa "agir". Muito bom. Muito bom , mesmo. Se você estiver sob ameaça de invasão da sua casa, corra, reze, se finja de morto. Dê um jeito. Se vire.
Isso tudo, depois de 26 anos de governo do PSDB no Estado.
O dinheiro dos Kassab
Com os cofres cheios, graças ao arrocho salarial do funcionalismo, à falta de investimento direto em áreas essenciais e à venda da Nossa Caixa, e com necessidade de mostrar serviço, o governador José Serra começa a anunciar obras na Capital. Ontem, falou em construir mais duas faixas na Marginal Tietê e anunciou oficialmente projeto de expansão do Metrô na Zona Norte.
Para o Metrô, adotou projeto que havia sido proposto por Marta Suplicy durante a campanha municipal: levar a nova linha até Vila Nova Cachoeirinha. À época, o prefeito do PFL, apoiado pelos demo-tucanos, a desconsiderou, e a direção do Metrô a classificou de "rudimentar", como observa o Estadão. Sem eleição, o projeto passa a ser bom e recebe a assinatura demo-tucana.
O melhor da reportagem de Daniel Gonzales, porém, fica por conta da revelação, para muitos, de que o diretor de Planejamento do Metrô é Marcos Kassab. Nada mais, nada menos do que irmão do prefeito do PFL. Em outros tempos, seria nepotismo. Mas não é. A verdade, porém, ninguém no governo demo-tucano vai revelar: a família é "especializada" em transporte. É assim que acumula riqueza, "vendendo projetos" para o setor público. Coerente com a condição de "liberal" que o prefeito prega. Seu partido é contra a presença do Estado na economia. Ah, bom.
Para o Metrô, adotou projeto que havia sido proposto por Marta Suplicy durante a campanha municipal: levar a nova linha até Vila Nova Cachoeirinha. À época, o prefeito do PFL, apoiado pelos demo-tucanos, a desconsiderou, e a direção do Metrô a classificou de "rudimentar", como observa o Estadão. Sem eleição, o projeto passa a ser bom e recebe a assinatura demo-tucana.
O melhor da reportagem de Daniel Gonzales, porém, fica por conta da revelação, para muitos, de que o diretor de Planejamento do Metrô é Marcos Kassab. Nada mais, nada menos do que irmão do prefeito do PFL. Em outros tempos, seria nepotismo. Mas não é. A verdade, porém, ninguém no governo demo-tucano vai revelar: a família é "especializada" em transporte. É assim que acumula riqueza, "vendendo projetos" para o setor público. Coerente com a condição de "liberal" que o prefeito prega. Seu partido é contra a presença do Estado na economia. Ah, bom.
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