quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Tolinha Francine será subprefeita

Os amantes do futebol e tarados por programas de esporte na TV já podem respirar um pouco mais aliviado. Tolinha Francine (PPS) assumiu de vez seu lado penosa e, como boa tucana, será nomeada subprefeita de Cidade Tiradentes. Com isso, deverá deixar de participar dos programas da ESPN Brasil, onde ainda ficarão outras malinhas, como Juca Kifureagreve e José Trajano, que ficam a maior parte do tempo irritando e fazendo pouco do telespectador.

Bom, mas o que interessa mesmo é Tolinha Francine poderá deixar a programação. A menos que consiga a proeza de conciliar ser subprefeita no extremo leste da cidade, morando em Perdizes, com sua participação na ESPN Brasil. E fica a curiosidade: será que Tolinha sabe onde fica Cidade Tiradentes, já foi lá, conhece a realidade daquelas pessoas?

Melhor ainda: ela vai de bicicleta?

A vez do Judiciário

É voz corrente na imprensa e na sociedade brasileira que a impunidade é uma das mazelas brasileiras e responsável pelo avanço dos índices de violência em todo o País. A mira das pessoas, invariavelmente, são os políticos.

Duas notícias publicadas hoje, porém, chamam a atenção para um dos Poderes de maior responsabilidade sobre a impunidade: o Judiciário.

Um: Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo absolveu, por unanimidade, o promotor Thales Ferri Schoedl, que matou um estudante na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em 2004. Os 23 desembargadores consideraram que o promotor agiu em legítima defesa e por isso matou Diego Modanez e baleou outro rapaz, que, desarmados, boliram com sua namorada.

Diego recebeu dois tiros. De acordo com o relatório do legislta, o segundo tiro foi dado quando ele já estava ajoelhado ou deitado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não julgou em definitivo se Schoedl tem direito a foro privilegiado, pois ainda não sabe se ele terá mantido o cargo de promotor.

E aqui cabe a primeira pergunta: por que um promotor, que comete um crime comum, mata um jovem e fere outro, tem direito a juri especial? Motivo fútil virou "legítima defesa". Trata-se de uma decisão corporativista, que reforça a idéia de castas, a sensação de que temos gente de primeira classe e uma massa sem nenhum direito.

Dois: O STF abriu processo penal contra Paulo Medina, juiz do Superior Tribunal de Justiça (STJ), seu irmão, o advogado Virgílio Medina, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas Ernesto Luz Pinto Dória e o procurador da República João Sérgio Leal Pereira. Todos são acusados de beneficiar bicheiros, vender sentenças para contraventores, donos de bingos e caça-níqueis do Rio de Janeiro.

Chafurda a Justiça. Segunda pergunta: será que só essas excelências prevaricam na Justiça brasileira?

Os juízes, em todas as esferas do Judiciário, em todos os cargos, se escondem da sociedade. Não há eleição direta para cargo nenhum, ao contrário dos políticos, não se sabe com exatidão o salário de nenhum deles, ao contrário dos políticos, não há transparência nem controle externo, ao contrário do Legislativo e do Executivo. Os juízes fazem o que bem entendem, se colocam acima do bem e do mal, na condição de última instância na arbitragem de direitos e deveres dos cidadãos.

Não se trata, em nenhuma hipótese, de defesa da classe política. Trata-se, exclusivamente, da tentativa de evidenciar a necessidade de mais atenção voltada ao Judiciário. Cobrá-lo, sem medos, exigir transparência, maior contato com a realidade, estar mais próximo da sociedade, ser mais democrático. O Judiciário ainda vive num País colonizado, onde classes dominavam e o resto lhes servia.

As "autoridades" têm mais dias de férias do que qualquer cidadão "comum". Os processos são lentos, em todas as instâncias. As setenças, muitas vezes, são bizarras. Quem esquece que o jornalista Pimenta Neves, réu confesso, que matou sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, pelas costas e de forma premeditada, continua solto? Graças à sentença de um juiz "novato" indicado para a comarca de Embu seis meses antes do julgamento, e à "lentidão" no recurso.

Juízes, desembargadores e outras "autoridades" ainda querem meter medo, em vez de se integrarem à sociedade. Têm egos enormes, vaidades maiores ainda. Que ninguém se esqueça do exemplo daquele juizinho do Rio de Janeiro que expediu uma ordem para que seu vizinho de prédio lhe chamasse apenas por "doutor". Pobre alma, que alinhava bem como é o Judiciário, salvas as boas exceções.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O pálido ponto azul

Está circulando na internet um filme, de quase seis minutos, que tem por objetivo mostrar que o planeta Terra um cisco nesse mundão de meu Deus. Não é nada mais do que um "pálido ponto azul". Nós, humanos, somos ainda menores, mas com ódios e vontade de mantar pessoas, destruir o pouco que somos.

Vale uma reflexão. Principalmente nesses momentos em que catástrofes naturais atormentam a vida da gente. As chuvas interminentes em Santa Catarina causam estragos, provocam sofrimento em tanta gente. No Rio de Janeiro e no Espírito Santo também há prejuízos, mas no Sul a situação é caótica. E todos temos parte de culpa.

Estamos destruindo o pálido ponto azul. Se cada um de nós fizer sua parte, podemos evitar casos como a cheia em Santa Catarina, o tsunami na Ásia, o frio no verão, o sol que arde mais do que antigamente.

Não jogar lixo na rua, não cortar árvores, evitar ligar uma lâmpada desnecessariamente, evitar ligar o ar-condicionado, não pegar o carro à toa, dar carona para o vizinho, não rasgar uma folha de papel, selecionar o lixo e levar para a reciclagem. Parecem coisas idiotas, mas se cada um fizer um pouquinho disso, podemos evitar que o pálido ponto azul se transforme em cisco cinza perdido na imensidão do mundo.

sábado, 22 de novembro de 2008

Falha de São Paulo

Na ânsia de defender o interesse privado e não deixar passar a oportunidade de criticar o governo Lula, a imprensa condena a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. E sobra até para o queridinho da mídia, o governador José Serra.

Na Folha, Fernando Rodrigues acha uma bobagem o BB ter de ser o maior banco do País. Volta à ladainha de utilização política do banco, que, por isso, segundo ele, tem lucros menores do que seus pares privados. Vai além: diz que Lula deveria falar mais com Obama para adotar o modelo bancário sólido, evoluído e regulado.

Fernando Rodrigues entrou na praia errada e, por isso, comete uma série de equívocos. O BB não contabiliza lucros menores do que seus concorrentes. Recentemente, foi até criticado por acumular lucro de R$ 4 bi, no nível de Bradesco e Itaú. E quanto ao modelo bancário americano, Fernando Rodrigues, faça-me o favor. Falta leitura da própria Folha, que neste sábado salienta que o Citibank, um dos maiores do mundo, perde 20% do valor de suas ações, está falindo e deverá ser vendido. Sem falar no socorro gigantesco que o Tesouro dos EUA teve de dar a vários outros bancos.

Fernando Ridrigues, a crise global tem origem no sistema bancário americano! O mundo clama por maior regulação no setor, maior presença dos Estados!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Da saúde para o transporte

Na semana passada, a Folha "descobriu" que a Prefeitura de São Paulo vai ampliar o valor do subsídio ao transporte de ônibus na capital. Agora, conclui que o volume de dinheiro transferido dos cofres públicos para as empresas seria suficiente para construir outra linha de metrô como a da Paulista.

Com a volatilidade do mercado global, prometer congelar o preço da passagem foi uma grande irresponsabilidade. Resta saber se a sociedade, avisada do subsídio após a eleição, concorda em destinar tanto dinheiro às companhias de ônibus, sem nenhuma prestação de contas, sem transparência. E sem perder de vista o fato de a família Kassab ganhar dinheiro, e muito dinheiro, com consultoria a essas empresas.

Menos dinheiro para a saúde
Hoje, a mesma Folha também "descobre" que a verba do governo do Estado para a saúde vai cair pelo segundo ano consecutivo. Em compensação, a previsão orçamentária para 2009 prevê aumento de 165% para a área de transporte, que contará com R$ 4,5 bilhões. Na saúde, os investimentos diretos do Estado serão de R$ 320 milhões, ou irrisórios 2% do total de investimentos previstos para 2009.

No primeiro orçamento elaborado pelo atual governador, o corte de recursos para a saúde havia sido de 27%. Como a própria Folha observa, José Serra sempre se orgulhou, e faz estardalhaço por isso, de ter sido Ministro da Saúde.

A questão, porém, transcende a compreensão dos simples mortais. A destinação maior de verba pública para a área de transporte atende pelo apelido de financiamento de campanha. Beneficiar agora alguns interesses privados é a senha para alcançar doações em 2010. O resto é história de ninar.

PPSDB
Na esfera política, o que parecia ser agora será oficialmente. O PPS negocia para ser incorporado pelo PSDB. A ex-vereadora Soninha, que aguarda com grande expectativa a oficialização de convite para ser a secretária de Cultura na gestão demo-tucana, não precisa mais fazer de conta. Pode assumir definitivamente seu lado penoso.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sonho acordado

Quando criança, Paulinho tinha uma idéia fixa: conhecer o mar. Freqüentava a piscina do clube local quase que diariamente. Nas férias, de manhã e à tarde. Entre um pulo e um mergulho, imaginava que estava numa praia. Quando ia dormir, sonhava que Deus tinha feito um canal entre as montanhas, levando o oceano para ir banhar sua casa. Acordava imaginando que tinha uma praia no portão.

Graças ao milagre econômico, ironicamente feito pelos demônios da ditadura, conseguiu ir para a praia pela primeira vez quando tinha onze anos. A estréia foi meio sem graça. A praia de Caraguatatuba não era a maior maravilha do mundo, tinha um pouco de lodo, ou barro, não sabe bem ao certo, no fundo. As ondas quase não existiam. Mas já era muito para quem sonhara tanto.

No dia seguinte, sim, uma praia de águas claras, areia branca, que ficava ainda mais branca com a espuma das muitas ondas que nela quebravam. Se esbaldou. Foram 15 dias visitando praias, uma mais linda do que a outra. Muitas ondas. Depois das férias, Paulinho ficou dias ouvindo o barulho do mar que teimava em não sair do ouvido.

Foram férias inesquecíveis. Mas apenas as primeiras. Nunca mais Paulinho seria o mesmo. Na primeira oportunidade, poucos anos depois, lá foi ele novamente para a praia, na boléia de um caminhão apanhado de carona na estrada. Uma arte que lhe rendeu alguns castigos, mas que até hoje considera ter valido a pena.

Muitas outras idas à praia, passou a ser um velho amigo e frequentador do mar, sem nunca ter deixado de lado outro sonho, que veio com o amadurecimento de Paulinho: ter sua própria casa na praia.

Tanto fez que conseguiu. Primeiro, uma pequenininha, embora suficiente para aproveitar bastante, contemplar a mata em volta. Logo depois, outra um pouco maior, com terreno para a churrasqueira, um gramado bonito, flores, varanda, rede, cozinha para cozinhar, outra paixão de Paulinho. Tudo perfeito, até que um dia tornou-se vítima de uma das maiores desgraças desses tempos: a violência.

Paulinho ficou muito triste. Não só pelo ocorrido, mas pelo medo da perda de algo intangível: ter de abandonar um sonho que o acompanha por toda sua vida. Trabalhou tanto para isso, sem nunca ter pedido nada para ninguém. Não queria abrir mão do seu direito de ir e vir, de estar onde bem entendesse. Não quer se intimidar. Não quer abrir mão do seu sonho, que faz parte de sua existência tanto quanto seus prazeres e seus sentidos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Prefeitura de SP prioriza ricos

A vitória do PFL na eleição municipal de São Paulo representa a manutenção de uma política que pressupõe vantagens exclusivamente para os mais ricos, dentro de uma lógica perversa e praticamente banida do cenário nacional. É típico de um partido que tem o liberalismo como filosofia e avesso a políticas sociais mais modernas.

Prova disso é que os dez distritos da cidade que oferecem mais vagas em programas sociais e educacionais para crianças e adolescentes estão em regiões centrais e mais bem estruturadas de São Paulo, conforme noticia o Estadão desta segunda-feira.

Por outro lado, os dez distritos com as mais frágeis redes de proteção ficam nas periferias e concentram número elevado de crianças e adolescentes em níveis de pobreza extrema.

Esses dados revelam a velha relação dos partidos da ditadura com a concentração de renda e a aversão a programas sociais que revertam em melhoria da qualidade de vida da população. A oposição feita por PSDB e PFL até hoje é contrária ao Bolsa Família, programa adotado pelo governo Lula. Só deixou de falar mal por conta do grande apelo popular do programa.

O primeiro lugar nos serviços sociais prestados pela prefeitura da dupla demo-tucana é Moema. Em segundo lugar vem Santo Amaro. No outro extremo, Pirituba e Guaianazes tem os piores serviços. Essa inversão de valores reforça a idéia de que esses partidos "odeiam pobre". E a vitória da dupla na Capital só confirma a tese de que a classe média paulistana prefere gastar com segurança.

E a pergunta que não quer calar: por que nada disso veio à tona durante a campanha eleitoral?

Subsídios para a família Kassab

Durante a campanha eleitoral, o candidato do PFL não se cansou de prometer a manutenção da tarifa de ônibus até pelo menos o final de 2009. Devia saber do que estava falando, pois a fortuna de sua família vem, basicamente, da empresa de consultoria na área de transportes. Já recebeu muito dinheiro da prefeitura.

O que ninguém sabia é que ao mesmo tempo em que repetia as promessas, estava elevando o subsídio às empresas do setor. De acordo com a Folha desta segunda-feira, o prefeito do PFL aumentou na sexta-feira, último dia útil de outubro, em mais R$ 90 milhões o total repassado às empresas. Até setembro, a prefeitura já havia concedido R$ 470 milhões às companhias. Até o final do ano, o setor terá recebido R$ 600 milhões, o dobro de 2006 e 65% mais do que no ano passado.

Ou seja, além do que os passageiros pagam pelos "excelentes" serviços prestados pelas empresas, estas recebem mais uma fortuna da prefeitura para "cobrir custos". Enquanto a economia bomba, vá lá, desde que seja transparente. Mas com a retração que se anuncia, a promessa pode se transformar em irresponsabilidade. Ou vantagem para quem contrata a consultoria da família Kassab.

O reajuste do subsídio é o terceiro em três meses. O curioso é que ninguém noticiou nenhum repasse de recursos públicos às empresas ao longo de toda a campanha.