quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Puta pode, veado, não

Está circulando na internet um e-mail de um integrante da Polícia Civil paulista com duras queixas contra seu atual patrão, o governo José Serra. Alega cerceamento de seus direitos constitucionais por ser pressionado a não fazer greve. Acusado de líder grevista, foi vítima de sindicância e perdeu promoção e licença prêmio. Como poucos sabem, os policiais civis estão em greve há um mês, reivindicando reajuste de salário. A categoria tem o menor salário do País.

Com raras exceções, a imprensa brasileira não publica notícias que possam parecer constrangedoras para Serra. O caso Alstom, que conspirava contra figuras ilustres do tucanato, sumiu das páginas. O esquema de venda de carteiras de motoristas, que apontava para outras penas poderosas, também desapareceu. E assim tem sido. O noticiário da TV segue a mesma linha. Assistindo ao SPTV, da Globo, tem-se a noção de estarmos em outra cidade, outro mundo. Nada de anormal acontece, não há problemas a serem revelados.

A imprensa está mais preocupada em crucificar a candidata de oposição, por ter ousado questionar a vida do prefeito. Mas não adotou a mesma "indignação" em 2004, quando o PSDB divulgou um artigo intitulado "Dona Marta e seus dois maridos". Puta pode, veado, não.

Sendo assim, São Paulo vai novamente eleger alguém de direita, sem nenhum compromisso com políticas sociais que possam beneficiar a crescente população de excluídos desta cidade. A classe média, muito mal informada, faz de conta que nada sabe, nada enxerga. Segue a rotina.

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