No dia em que mandou a Tropa de Choque atacar policiais civis em greve, na porta do Palácio dos Bandeirantes, o governador José Serra ocupou espaço no horário nobre da TV para dizer que estavam partidarizando a campanha salarial dos policiais e explorando politicamente o caso, incitando os grevistas a atos de violência. No dia seguinte, todos os jornais retransmitiram em manchete o recado de Serra.
O governador acertou na mosca. Houve, de fato, uso político-partidário do caso. Mas por ele mesmo. O próprio governador usou o artifício dos militares da ditadura para tentar esconder seus erros. Deve ser por causa da convivência com o PFL, pelo qual tanto briga.
No final de semana, o presidente Lula não poupou críticas a Serra. “O governador Serra não tinha o direito de, me conhecendo como conhece e mantendo as relações que mantém comigo, acusar o PT nesse caso da Polícia Civil”, disse Lula, em comício em São Bernardo do Campo.
Os episódios envolvendo a área de segurança pública em São Paulo movimentam os bastidores políticos. Primeiro, foi o confronto entre grevistas e PM, no Morumbi, que Serra tentou usar politicamente.
Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, o governador errou duas vezes, ao não receber representantes dos grevistas para demonstrar negociação e por chamar a elite da Polícia Civil e a Tropa de Choque da PM para o mesmo local, para a mesma missão: conter os grevistas. Os policiais civis, quando viram a PM, optaram por ficar ao lado dos colegas.
No dia seguinte, a politização tentada por Serra praticamente foi por água abaixo com o terrível caso de seqüestro em Santo André que acabou em tragédia. Depois de quatro dias de negociação com o seqüestrador, a PM invadiu o cativeiro para tentar resgatar duas adolescentes. A operação resultou na morte de Eloá Cristina Pimentel, 15 anos. Sua amiga Nayara, que foi libertada e voltou ao cativeiro com autorização, ou a pedido, da PM, foi baleada na face. De novo, especialistas consideram que a polícia agiu mal. O custo político pode ser caro para Serra.
Primeiro, Serra e sua patota tentam esconder seus erros na condução da greve dos policiais civis e aproveitam a oportunidade para tentar jogar a bomba no colo do PT. Como o tiro saiu pela culatra, reviram a estratégia. O primeiro a esboçar reação é aquele que, imediatamente, mais tem a perder com os erros de Serra. Gilberto Kasserra logo surgiu à frente de jornalistas para dizer que é um "equívoco" tirar proveito de episódios policiais. Cinismo ou um pito em Serra?
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
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