sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O STF vai a FHC

Na terça-feira, o ex-engavetador-geral da União, Gilmar Mendes, atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), participará de um seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso. Estará de volta ao velho ninho. Ficará à vontade ao lado de Antonio Carlos Mariz de Oliveira e Miguel Reale Jr, que integram o painel, além de outros fundadores do PSDB na platéia.

As ilustres personalidade vão discutir "Democracia e Estado de Direito: o Judiciário em Foco", tema do seminário. Como se não bastasse utilizar um termo tão desgastado, ultimamente mais utilizado por jogador de futebol, o evento poderia pensar num objetivo mais nobre: como fazer com que o Judiciário ingresse no regmie democrático e se torne mais ágil.

Além de pedante, arrogante e ex-colaborador do governo tucano, Mendes tem se notabilizado por nunciar medidas que virem todos os holofotes para o seu lado.

A questão é saber se haverá uma sala onde caibam egos tão gigantescos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Começa a campanha

Passada a campanha municipal, a imprensa atua em duas frentes. No cenário nacional, intensifica os ataques à gestão do presidente Lula, de olho em 2010. No âmbito doméstico, em São Paulo, volta-se ao cotidiano. Nos últimos dois, três meses, o noticiário pintava uma cidade amena, pacata, sem trânsito, sem problemas. O SPTV, da Globo, praticamente só falava da previsão do tempo.

Fechadas as urnas, garantida a vitória de José Serra, a cidade volta a ter buracos, congestionamentos, falta de ônibus. Hoje, o Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081030/not_imp269261,0.php) relata as preocupações de empresas e motoristas de caminhões com as novas regras impostas pela prefeitura para o trânsito de veículos de carga na cidade. Medida adotada em meados do ano, o rodízio de caminhões teve pouca cobertura da mídia e sumiu conforme a eleição se aproximava. Cheguei a mencionar a ineficácia do rodízio, que nunca atingiu a meta fixada pela administração municipal. Até a Vejinha se assanha e nesta semana reclama de buracos nas calçadas do centro da cidade.

Na esfera nacional, os jornalões deixam a vergonha de lado. Hoje, a Folha do Serra destaca que o programa Luz para Todos "não cumpre a meta de 2 milhões de famílias". Com uma simples soma, porém, o leitor chega à conclusão de que o programa beneficiou "apenas" 1,726 milhão de famílias desde o final de 2004. Não há nenhuma comparação com períodos anteriores.

Talvez por isso o presidente Lula esteja com a imagem arranhada. Vai ver que foi por isso também que durante sua gestão os partidos de oposição tenham perdido a eleição em 910 prefeituras de todo o País. Os 990 prefeitos tucanos de 2000 caíram para 786. O PFL, que tinha 1026, viu esse número minguar para 496. O PPS chegou a ter 306 cidades administradas, e a partir de 1º de janeiro serão apenas 132.

Tolinha Francine assume a verdade

A vereadora Tolinha Francine (PPS) assume seu lado José Serra. Segundo noticia hoje a Folha (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3010200821.htm), ela diz que "adoraria" participar da equipe do prefeito do PFL em São Paulo. Assegura que não foi convidada, mas está se oferecendo.

Antes mesmo do início da campanha municipal, muito se falou sobre uma suposta estratégia de Serra, de utilizar a vereadora para tentar tirar votos do eleitor jovem que iriam para a petista Marta Suplicy. De acordo com essa tese, Tolinha cumpriria o papel de linha auxiliar do tucano, para ajudar o candidato do PFL, apoiado por Serra. A vereadora, cujo mandato acaba em 31 de dezembro, negou. Mas agora veste publicamente a camisa tucano-pefelista. É uma nova demo.

Para quem não se lembra, Tolinha foi eleita pelo PT em 2004, com uma das maiores votações daquela eleição. Dois anos depois, se candidatou a deputada federal, mas não teve votos suficientes para chegar a Brasília. Isso porque nunca desempenhou na Câmara municipal o papel dela esperado. Não se tem notícia de nenhum projeto apresentado por ela. O máximo que fez, no auge da campanha, foi dizer que todos os vereadores são corruptos. Em tempo: a maioria está no bolso, ou melhor, vota com a situação, que ela, curiosamente, passa a integrar.

Mesmo com uma votação pífia, queria ser candidata à Prefeitura. Migrou, então, para o PPS, cujo dono, Roberto Freire, está na linha de frente na defesa da dupla PSDB-PFL. Talvez por isso, o PPS amarga sucessivos fracassos e está sumindo do mapa eleitoral brasileiro.

Que papelão, vereadora!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sinuca tucana

Na ânsia de tentar evitar que o governo execute medidas para buscar contornar a crise financeira global, a oposição correu para vetar a MP 443, que concede poderes à CEF e Banco do Brasil para comprar empresas de construção e bancos em dificuldades. Mas a reação enfrenta resistências dentro do PSDB. Isso poque um dos maiores beneficiados com a MP é José Serra. Agora, os tucanos não sabem se apóiam a MP ou se vão em busca do veto e prejudicam seu candidato a presidente da República.

O governador de São Paulo negocia há meses a venda do Banco Nossa Caixa para o Banco do Brasil. A MP facilitaria a missão de Serra de fazer caixa às vésperas da eleição de 2010. E ao BB interesse ampliar sua presença no mercado paulista e fazer frente ao avanço dos bancos privados. Ao contrário de seus concorrentes, o BB não tem liberdade para sair comprando instituições financeiras e corre o risco de ser ultrapassado por Bradesco e Itaú.

No governo Lula, o papel de um Estado mais forte e presente nunca foi segredo para ninguém. A gestão petista sempre achou que isso poderia ditar o ritmo dos investimentos privados, conter a cobrança de tarifas e ampliar a bancarização. O PSDB é contra. Quer o sistema para poucos, dentro de uma visão neoliberal que foi atropelada pela crise financeira global.

Alckmin é de novo deixado de lado

Escrevi aqui, no dia 6, que Geraldo Alckmin daria apoio ao candidato do PFL à Prefeitura de São Paulo em troca da promessa de ser o indicado pelo PSDB para o governo do Estado em 2010. Acrescentei que tratava-se de uma balela, que dificilmente Alckmin contaria com o apoio da patota de José Serra. Mais dia, menos dia seria traído. A traição, porém, chegou mais cedo do que se imaginava.

Hoje o Estadão revela que a aliança para 2010 pode "de novo" (aspas minhas) isolar Alckmin. O PFL quer fazer de Afif Domingos o candidato da coligação ao Palácio dos Bandeirantes. E relembrando os velhos tempos, a chapa se completaria com Orestes Quércia como candidato ao Senado. Aqui, de novo, reforça-se o que se previu no início de outubro.

Essa estratégia faz parte do plano do PSDB para o cenário nacional. A idéia é agir para atrair o PMDB e garantir o apoio do PFL para ungir Serra ao Planalto. Deixaria pouco tempo de TV para o candidato do presidente Lula. É a garantia de que a direita, unida, jamais será vencida.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tucano, Merval não entrega os pontos

PMDB e PT, que formam a base de sustentação do presidente Lula no Congresso, alcançaram o maior volume de votos, elegeram mais prefeitos e vão administrar cidades cujas populações somam 72% do total do País. Se isso é alguma garantia de sucesso em 2010 é outra discussão, mas tentar achar que não são vitoriosos é querer tapar o sol com a peneira.

É o que tentam fazer hoje os principais colunistas dos jornais que se consideram nacionais. No Globo, Merval Pereira, porta-voz do PSDB, na ânsia de defender a tucanagem tenta confundir o leitor. Lula disse que PSDB, PFL e PPS foram os grandes derrotados, pois perderam prefeituras e número de votos. E os partidos aliados venceram, aumentaram a participação no bolo eleitoral. Ponto. Foi isso o que o presidente disse.

Pois Merval, que já fez muito serviço tucano no Jornal Nacional, disse que a afirmação de Lula "não corresponde à realidade política". O grande vencedor, avalia, é o PMDB, cuja participação na base ele questiona. É a mesma coisa que dizer que Serra não ganhou em São Paulo, pois o candidato de seu partido era Geraldo Alckmin.

A Folha não esconde de ninguém que apóia Serra até debaixo d'água. Hoje, publica reportagem apontando a possibilidade de o PMDB rachar, com parte apoiando Lula e outra, Serra. Primeiro que o jornal nem precisa recorrer a cientistas políticos para chegar à conclusão. Segundo que, em ato falho, já considera que Serra será candidato a presidente. Esqueceu de combinar com os russos, como diria Garrincha. Aécio que o diga.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Base de Lula vai governar 72% do País

Muito se tem avaliado na imprensa quem ganhou e quem perdeu com o resultado da eleição municipal. É certo que José Serra sai como um dos maiores vitoriosos. Deu uma rasteira em seu próprio partido, bancou o ventríloquo do PFL, de olho na reciprocidade em 2010, e conseguiu eleger o poste. Usou a imprensa, a máquina do Estado e da prefeitura, que ele também domina, fez campanha ilegal, manipulou, mas ganhou.

Alguns dizem que, na verdade, foi Marta Suplicy quem perdeu. A cientista política Maria Benevides avalia que Marta foi vítima do ressentimento da classe média paulistana com o PT. Seja como for, Serra ganhou. E ganhou mais e melhor do que Aécio Neves em Belo Horizonte, que só emplacou Márcio Lacerda aos 45 minutos do segundo tempo. Não chegou a ser gol de mão, mas houve algumas faltas na construção da jogada - no mínimo, algumas caneladas.

Cabral - No Rio, ganhou Sérgio Cabral. Além das caneladas no segundo tempo, o gol foi numa bola dividida, com apenas 55 mil votos de vantagem do ex-tucano arrependido Eduardo Paes sobre Fernando Gabeira - quem não se lembra do velho refrão: "quem senta, fuma e cheira, vota no Gabeira"?.

PFL - Indiscutivelmente, quem mais perdeu foi o PFL. O partido somou 13 milhões de votos, ante 22 milhões do PT e 23 milhões do PMDB. Não fosse por José Serra, os demos teriam sido riscados do mapa eleitoral brasileiro.

Lula - Na outra ponta, pode-se dizer que o presidente Lula é o maior vencedor. A mídia se apressa em insinuar arranhões, por ele não ter conseguido transferir votos para todos os seus candidatos, especialmente Maria do Rosário, em Porto Alegre, e Marta, em São Paulo. No Sul, diga-se, trata-se da primeira eleição após novo racha na esquerda, com a criação do Psol e com forte candidata do PC do B, que, ressentida, relutou em manifestar apoio. São Paulo, o caso merecerá uma análise específica em outra oportunidade.

Mas o fato é que Lula consegiu fazer o PT ganhar onde sempre enfrentou resistências, no Norte e Nordeste, além do interior paulista, por exemplo. E viu os partidos da base aliada, todos que colaram em sua imagem, dominarem as eleições. Sua base no Congresso vai governar 72% do eleitorado brasileiro. Dá para dizer que Lula perdeu?

Geddel - O ministro peemedebista Geddel Vieira Lima fica na lista dos vitoriosos. Como lembra Ricardo Noblat, tirou o prefeito João Henrique Carneiro do fundo do poço da rejeição em Salvador e o levou à vitória contra Walter Pinheiro (PT), apoiado pelo governador Jaques Wagner.

PMDB - É a grande noiva de 2010. Ao colar em Lula, sai vitorioso. Infiel por natureza, pode levar o cacife eleitoral para qualquer lugar. Por enquanto, postula a indicação de vice numa chapa liderada por Dilma Rousseff.

Urna eletrônica - Até prova em contrário, parece honesta. E eficiente. Possibilita sabermos, uma ou duas horas depois, de quem será a festa e, do outro lado da rua, o velório. Que venha a versão com identificação pela digital.

Militância - Jazigo construído nos últimos anos finalmente ficou pronto este ano. Na lápide, a inscrição: "Aqui jaz a militância política, ideológica e voluntária, barulhenta, alegre e festiva. Saudades".

Internet e imprensa alavancam a "crise"

No final de semana, o economista José Roberto Mendonça de Barros, com empresa de consutoria estabelecida no mercado, mas com longa história relacionada aos tucanos, disse, em entrevista ao Estadão, que parte da neura que tomou conta das bolsas é culpa da imprensa e da internet.

Há tempos gente de gabarito tem repetido que a especulação é maior do que a racionalidade nos mercados de capital e cambial. Agora, surge um técnico para assegurar que a velocidade da informação, muitas vezes manipulada e politizada, contribui para distruir conceitos sólidos. No Valor, artigo do economista o economista Jeffrey Sachs assegura que não há razão nenhuma para supor depressão ou mesmo recessão global.

Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que parte do contágio no Brasil da crise mundial é psicológico. "A crise acaba trazendo um contágio psicológico, não é nem no nível de operações e de crédito. A gente não pode deixar que haja esse contágio porque o empresário vai pensar que as vendas vão cair e que não vai ter crédito", afirmou Mantega, após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Muito provavelmente, vai ser ridicularizado por isso. Afinal, é ministro do presidente Lula. A ignorância, que não lê Sachs, ou a hipocrisia que vai ignorar Mendonça de Barros, não poupará o ministro.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Agora mídia aponta falhas de Kasserra

Aos 40 do segundo tempo, quando o jogo está praticamente liquidado, a imprensa brinca de imparcialidade. Depois de ficar toda a campanha com clara tendência em favor de Gilberto Kasserra em São Paulo, a edição desta quarta-feira da Folha e do Estadão trazem matérias que apontam blefes, mentiras e incompetências da gestão do PFL na capital. Os jornais talvez acreditem na teoria de que a última impressão é a que fica.

O mais recente bate-boca entre Marta Suplicy e o candidato do PFL é sobre o CEU da Vila Formosa. O prefeito assegurou, no debate de domingo, que as obras estão avançadas e promete a inauguração no início do ano. A petista acusa a atual gestão de não dar bola para os CEUs, marca do seu governo na capital. Ontem, ela foi visitar a obra e acabou impedida de entrar. Do seu gabinete, com ar-condicionado e água gelada, o prefeito do PFL fez uma vistoria "virtual".

Ficou claro que Kasserra está mentindo, e a mídia aceitou essa versão. "Atraso do CEU Vila Formosa é novo motivo de bate-boca entre candidatos", atesta o Estadão. "Prefeito não prioriza novos CEUs", atesta título de matéria do Estadão, que, ao lado, acrescenta que "Marta construiu 20 centros".

Outro ponto de divergência na percepção de prioridades entre os dois candidatos é a saúde. O prefeito do PFL, mesmo tendo de ler o que foi feito na "sua" gestão, tenta valorizar as AMAs e as clínicas de atendimento - o demo tem de ler porque a gestão não é dele, é de Serra e dos tucanos, Kasserra não passa de ventríloquo.

Hoje, a Folha ressalta que "Clínica de Kassab é posto de saúde reformado". Utilizando declaração do presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes, acrescenta que as clínicas não passam de "típico puxadinho" e que as reformas foram feitas apenas nesse ano eleitoral.

E mais: em legenda, a Folha revela que a Unidade Básica de Saúde de Santa Cecília foi dividida em duas partes: à esquerda fica a entrada da AMA e à direita, a da UBS.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Criatura se volta contra o criador

Depois dos casos na área de segurança pública - conflito entre policiais e a trapalhada da PM no ABC -, o prefeito Gilberto Kasserra está evitando aparecer em público com o governador. De acordo com o Estadão, a ordem na campanha demo-tucana é congelar o discurso e evitar vinculação com Serra. Estão renegando o DNA. A criatura se volta contra o criador, reafirmando o caráter da patota do PFL e o risco que corre quem se liga a ele. Geraldo Alckmin que o diga.

Ontem, após a crise na polícia, o governador desapareceu de uma agenda em que visitaria obras do Conservatório Dramático e Musical ao lado do candidato do PFL. A presença de Serra havia sido combinada na semana passada. A campanha entendeu que a presença do tucano pode ser evitada agora.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Milagre ou mentira

Em São Paulo, o candidato do PFL, Gilberto Kasserra, diz que vai manter o preço da passagem de ônibus até não sei quando. Mas não explica exatamente como vai fazer isso. No ABC, a cara de pau do candidato tucano vai ainda além. Orlando Morando, que disputa a prefeitura de São Bernardo do Campo pelo PSDB, com apoio do demo, promete mais do que manter o preço da passagem, que hoje custa R$ 2,30. Atrás de Luís Marinho (PT) nas pesquisas, Morando diz que vai baixar o preço para R$ 2,00 e mantê-lo por muito tempo. Milagre ou mentira?

Cinismo de Kassera ou pito no governador?

No dia em que mandou a Tropa de Choque atacar policiais civis em greve, na porta do Palácio dos Bandeirantes, o governador José Serra ocupou espaço no horário nobre da TV para dizer que estavam partidarizando a campanha salarial dos policiais e explorando politicamente o caso, incitando os grevistas a atos de violência. No dia seguinte, todos os jornais retransmitiram em manchete o recado de Serra.

O governador acertou na mosca. Houve, de fato, uso político-partidário do caso. Mas por ele mesmo. O próprio governador usou o artifício dos militares da ditadura para tentar esconder seus erros. Deve ser por causa da convivência com o PFL, pelo qual tanto briga.

No final de semana, o presidente Lula não poupou críticas a Serra. “O governador Serra não tinha o direito de, me conhecendo como conhece e mantendo as relações que mantém comigo, acusar o PT nesse caso da Polícia Civil”, disse Lula, em comício em São Bernardo do Campo.

Os episódios envolvendo a área de segurança pública em São Paulo movimentam os bastidores políticos. Primeiro, foi o confronto entre grevistas e PM, no Morumbi, que Serra tentou usar politicamente.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, o governador errou duas vezes, ao não receber representantes dos grevistas para demonstrar negociação e por chamar a elite da Polícia Civil e a Tropa de Choque da PM para o mesmo local, para a mesma missão: conter os grevistas. Os policiais civis, quando viram a PM, optaram por ficar ao lado dos colegas.

No dia seguinte, a politização tentada por Serra praticamente foi por água abaixo com o terrível caso de seqüestro em Santo André que acabou em tragédia. Depois de quatro dias de negociação com o seqüestrador, a PM invadiu o cativeiro para tentar resgatar duas adolescentes. A operação resultou na morte de Eloá Cristina Pimentel, 15 anos. Sua amiga Nayara, que foi libertada e voltou ao cativeiro com autorização, ou a pedido, da PM, foi baleada na face. De novo, especialistas consideram que a polícia agiu mal. O custo político pode ser caro para Serra.

Primeiro, Serra e sua patota tentam esconder seus erros na condução da greve dos policiais civis e aproveitam a oportunidade para tentar jogar a bomba no colo do PT. Como o tiro saiu pela culatra, reviram a estratégia. O primeiro a esboçar reação é aquele que, imediatamente, mais tem a perder com os erros de Serra. Gilberto Kasserra logo surgiu à frente de jornalistas para dizer que é um "equívoco" tirar proveito de episódios policiais. Cinismo ou um pito em Serra?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Serra tenta esconder erro

Crise financeira global que nada. O assunto do dia é o "confronto" entre PM e policiais civis em greve nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, ontem. De acordo com José Serra, culpa do PT. Em todas as emissoras de televisão, ontem, Serra entrou ao vivo para repetir a ladainha - na Globo, ao vivo, falou o quanto quis, sem ser interrompido ou questionado. Hoje, todos os jornais colocam a versão governista em manchete. Espaço farto e sem direito de equilíbrio, negando-se ouvidos ao chamado "outro lado". Ou seja, sentença definida.

É lógico que depois de um mês em greve, sem negociações, os policiais civis tentassem criar um fato político para chamar a atenção das autoridades e da sociedade. É legítimo e corriqueiro. Mas erros estratégicos do governo Serra causaram a confusão e, por isso, o governador tenta criar uma cortina, com acusações ao PT e sindicalistas, para escondê-los.

Segundo reportagem publicada pelo Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081017/not_imp261488,0.php), a cúpula da Segurança Pública do Estado mandou para o entorno do Palácio dos Bandeirantes homens armados de grupos de elite da Polícia Civil, para que ajudassem a conter seus colegas em greve. E mandou para o mesmo local, ao mesmo tempo, a tropa de choque da PM. Quando o confronto começou, os policiais civis se uniram a seus colegas em greve. Acrescente-se que policiais civis e militares têm velha rixa.

"Foi um erro gravíssimo de planejamento", assegura Francisco Profício, que comandou a PM nos anos 90. "Não se manda o amigo do amotinado ajudar a tropa de choque a sufocar a rebelião", explica. Isso só não pareceu óbvio a Serra e sua patota.

Também no Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081017/not_imp261459,0.php), Hermes Bittencourt Cruz, ex-comandante da Rota, avalia que o ocorrido ontem foi o resultado de "uma grande barbeiragem do governador". Segundo ele, se Serra recebesse a comissão, os ânimos teriam se acalmado. "Essa insensibilidade política só não causou uma tragédia porque havia áreas de escape que permitiram que a multidão corresse."

Fato político, governador? E Kassab acrescenta que houve oportunismo. Houve mesmo, dele, de se meter onde não foi chamado.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Puta pode, veado, não

Está circulando na internet um e-mail de um integrante da Polícia Civil paulista com duras queixas contra seu atual patrão, o governo José Serra. Alega cerceamento de seus direitos constitucionais por ser pressionado a não fazer greve. Acusado de líder grevista, foi vítima de sindicância e perdeu promoção e licença prêmio. Como poucos sabem, os policiais civis estão em greve há um mês, reivindicando reajuste de salário. A categoria tem o menor salário do País.

Com raras exceções, a imprensa brasileira não publica notícias que possam parecer constrangedoras para Serra. O caso Alstom, que conspirava contra figuras ilustres do tucanato, sumiu das páginas. O esquema de venda de carteiras de motoristas, que apontava para outras penas poderosas, também desapareceu. E assim tem sido. O noticiário da TV segue a mesma linha. Assistindo ao SPTV, da Globo, tem-se a noção de estarmos em outra cidade, outro mundo. Nada de anormal acontece, não há problemas a serem revelados.

A imprensa está mais preocupada em crucificar a candidata de oposição, por ter ousado questionar a vida do prefeito. Mas não adotou a mesma "indignação" em 2004, quando o PSDB divulgou um artigo intitulado "Dona Marta e seus dois maridos". Puta pode, veado, não.

Sendo assim, São Paulo vai novamente eleger alguém de direita, sem nenhum compromisso com políticas sociais que possam beneficiar a crescente população de excluídos desta cidade. A classe média, muito mal informada, faz de conta que nada sabe, nada enxerga. Segue a rotina.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Tucanos afastam DEM da campanha

O comando da campanha de Kassera acusou o golpe. A ofensiva de Marta Suplicy, de apontar a ligação do candidato com um partido que sustentou a ditadura, levou a mudanças na estratégia de campanha do demo. Definitivamente, Kasserra virou tucano. A ordem no comando de campanha é desaparecer com qualquer indício de vinculação de Kasserra com o PFL. As lideranças do partido não vão poder participar de atos de campanha e nem do programa gratuito de TV. A avaliação, segundo revela O Globo, é que a vinculação causa desgaste à imagem de Kasserra.

Com a decisão, ficam de fora do palanque figuras vinculadas ao demo, como o dono do partido, Jorge Bournhausen, o prefeito do Rio, Cesar Maia, que acaba de ver sua candidata alcançar 4% dos votos, Marco Maciel, ACM Neto e outros.

Nas campanhas, nada é feito sem respaldo de pesquisas. Lideranças petistas asseguram que a avaliação é de que a presença de caciques do demo tira votos do candidato. Também por causa dessas pesquisas, Kasserra já vinha aparecendo com sobrinhas - votou ao lado de uma delas. Parcela do eleitorado estranha o fato de ele não ter uma família, mulher e filhos. Daí o ataque feito pelo programa de Marta: "Você conhece o Kassab? É casado? Tem filhos?".

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quando Kassab vai assumir?

Depois de uma das surras recentes que levou das urnas, o PFL resolveu fazer uma reciclagem na carcaça. Trocou o comando, tirando Jorge Borhhausen, que tem cara de comandante da SS de Hitler, e adotou novo nome. Não mudou muito. No seu lugar entrou Rodrigo Maia, filho de Cesar Maia. No comando do partido há, ainda, Paulo Bornhausen, da dinastia nazista. Como cartório, o partido passa de pai para filho. Pouco democrático ou falta de opção.

Ao anunciar as mudanças, o antigo dirigente, um dos pilares da ditadura militar, ex-dono dos free-shop de todos os aeroportos brasileiros (favorzinho dos militares), alegou que o partido precisa se modernizar (!?), mas não estava abandonando a bandeira idelógica do liberalismo. E não via nada de mais em ser de direita.

De fato, não há nada de errado em ser de direita, de forma ideológica e convicta. Cada um pensa como quiser. O problema é a dissimulação. Vender posturas diferentes conforme a ocasião. É o que faz Gilberto Kassab hoje. "Acusado" de conservador por ministros petistas, nega ser de direita, conservador. Ora, está num partido de conservadorismo liberal. Nada contra, desde que seja assumido. Aliás, Kassab não é mesmo assumido.

Com um português de dar pena, o ideário dos demos está à disposição de quem se interessar, no site: http://www.democratas.org.br/files/Ideario%20do%20Democratas.pdf. Está lá, por exemplo, com todas as letras, a defesa radical da "contenção da interferência do Estado na economia". Ou seja, o PFL (sim, o texto é tão velho, que ainda está descrito como PFL, prova de que a 'modernização' não passou da nova carcaça) deve ser contra uma das maiores intervenções estatais na economia de toda a história que EUA e Europa estão fazendo nesse momento para tentar salvar as finanças globais. Se dependesse de Kassab e o PFL, as finanças de todo o mundo estariam virando pó mais rápido do que estamos vendo.

Com essa visão de Estado, Kassab assume, isso sim, ser a favor das esmolas. Integrar é coisa da esquerda, que ele quer ver banida.

A verdadeira face de Soninha

"Soninha esquece promessa e PPS anuncia apoio a Kassab". A manchete de página do Estadão revela o que era esperado desde antes do início da campanha eleitoral. No começo do ano já se avaliava que Soninha Francine só estava entrando na disputa para servir de linha auxiliar de José Serra.

A idéia inicial era tirar votos de jovens que iriam para Marta Suplicy no primeiro turno. Seu partido, cujo dono é Roberto Freire, está há muito tempo alinhado com os tucanos e demos. Outro exemplo disso é o anúncio do apoio do PPS ao PSDB também em Guarulhos. Qualquer coisa que Soninha disser diferente disso será conversa mole para boi dormir.

Se arrependimento matasse...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A Folha em campanha

Da série A Folha em Campanha, as principais manchetes do jornal no dia 9 de outubro:

"Kassab larga com 17 pontos de vantagem sobre Marta"
"Aprovação da gestão Kassab chega a 61%"
"Apesar das investidas do Planalto, PTB declara apoio a democrata"
"Marta vê votos encolherem também na periferia de SP"
"SP cria cadastro para bloquear ligações de telemarketing"

A ira de Tasso

Desde o começo da semana, a imprensa está dando maior dimensão aos supostos efeitos da crise financeira global na economia brasileira. E desde ontem são crescentes os contornos políticos. A urubuzada está a todo vapor. O senador Tasso Jereissati não perdeu a oportunidade. Da tribuna do Senado, disse que a crise é "muito grave" e fez duras críticas à MP 442 - aquela que permite o socorro a bancos menores que possam enfrentar dificuldades. Segundo ele, o Proer tucano era melhor e mais transparente.

O senador cearense só não explicou para que servia transparência se o Proer solucionou problemas de bancos que se complicaram sozinhos ou por má-fé. É o caso, por exemplo, do Banco Nacional, que tinha entre seus controladores a então mulher de Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC. Como todo mundo sabe, o Nacional acabou adquirido na bacia das almas pelo Unibanco, que hoje tem Pedro Malan como presidente do Conselho e diversos "técnicos" do Ministério da Fazenda à época entre seus principais executivos.

É compreensível o comportamento de Jereissati. Deve estar tentando esconder o desempenho do seu PSDB na eleição. Os tucanos perderam a prefeitura de Fortaleza há 16 anos e o governo do Estado há seis. O império de Jereissati está ruindo gradativamente. Veja, a seguir, como caiu o número de prefeitos tucanos eleitos no Estado, num quadro com o desempenho de cada partido.

Em 2000
PSDB - 83
PSD - 36
PPS - 17
PMDB - 13
PFL - 11
PP - 10
PTB - 7
PSB - 3
PT - 2
PV - 2
PL - 1

Em 2004
PSDB - 70
PPS - 38
PMDB - 18
PT - 13
PP - 9
PRP - 7
PTB - 6
PFL - 5
PL - 5
PV - 4
PDT - 3
PHS - 2
PSB - 2
PC do B - 1
PSDC - 1
PTC - 1

Em 2008
PSDB 54
PMDB 33
PSB 22
PRB 17
PT 15
PR 9
PP 8
PTB 7
PC do B 5
PRP 3
PDT 2
PPS 2
DEM 2
PV 2
PSL 1
PSC 1
PHS 1

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A Folha em campanha

Títulos da Folha de S. Paulo nesta quarta-feira:

"PSDB em SP não tem 'dedazo' nem 'coronel', afirma Serra"
"Marta se esquece de Lula e critica Kassab por se 'colar' a Serra"
"Em 2007, PT tentou barrar investimentos no metrô"
"Kassab dará R$ 600 mi a empresas de ônibus"

A influência da crise

Passada a fase de balanço do primeiro turno da eleição municipal - como estatística, cada um avalia por um ângulo -, as campanhas se reorganizam e contabilizam os novos apoios. Algumas candidaturas anunciam mudanças mais estruturais, como Márcio Lacerda, em Belo Horizonte, e Marta Suplicy, em São Paulo. O que ninguém paraou para avaliar, ainda, é até que ponto a crise global pode interferir no resultado do segundo turno.

Críticos ferozes do que consideram a aposta do PT no "quanto pior, melhor", à época de Fernando Henrique Cardoso, se alvoroçam e se apressam em "emplacar" a crise na economia brasileira. Nesta quarta-feira, a coluna de Míriam Leitão destaca uma declaração, supostamente feita por um exportador não identificado, de que o BC brasileiro "pede serenidade como o capitão do Titanic mandava a banda tocar". Na tribuna da Câmara dos Deputados, José Aníbal, líder do PSDB, "exigiu" que o PT e o presidente Lula se desculpem pelas críticas feitas a FHC por causa do Proer. Isso porque o governo anunciou uma medida provisória que facilita o socorro de bancos de menor porte nesse momento de turbulências.

Como se vê, a surra que os mercados financeiros estão tomando já dá as caras no Brasil, num cenário que imediatamente ganha contornos políticos. Não vai demorar muito para desembarcar na campanha, especialmente em São Paulo, principal praça política e berço do mercado financeiro brasileiro. E onde o governador José Serra não raramente palpita sobre o "descaminho", segundo ele, da política econômica do governo petista.

Seja como for, com ou sem crise, é divertido ver gente como dona Míriam Leitão insistindo em inserir a crise no Brasil. Como observou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, "tem um torcida indisfarçada pela crise, da mesma turma que no primeiro semestre torceu pela inflação".

Tucanos
Mais divertido ainda é ver José Serra declarar, e a Folha colocar na manchete de abertura da cobertura política, que o PSDB de São Paulo não tem "dedazo" nem coronel. "Não somos partido de coronéis, não pratico dedazo", afirmou. Dedazo é uma referência ao longo período do PRI no México, onde os presidentes indicavam com o dedo os seus sucessores.

Engraçado por que há pouco mais de dois anos os jornais de todo o País estamparam a foto de Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Serra e Tasso Jereissati jantando no restaurante Masimo, em São Paulo, para escolher o candidato do PSDB à Presidência da República. Como hoje, Serra só pensava naquilo, mas teve de aceitar a maioria (os outros três) escolher Geraldo Alckmin. A declaração soa engraçada também por que todo mundo viu o comando do partido na capital mandar às favas a decisão da convenção de lançar Alckmin e apoiou abertamente Gilberto Kassab, do PFL. Até ele, Serra, desrespeitou a orientação partidária.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Petistas vão de Gabeira

Tudo indica que o PT vai oficializar o apoio formal a Eduardo Paes (PMDB), candidato do governador Sérgio Cabral, aliado e muito próximo do presidente Lula. Mas a militância deverá optar naturalmente por Fernando Gabeira (PV), que tem o PSDB na composição da chapa. Isso porque as lideranças petistas não esquecem a agressividade de Paes durante a CPI dos Correios, quando ainda era tucano. A despeito do descasamento no início do governo Lula, o partido tem uma identificação maior com Gabeira, que, de fato, não chega a ser de direita.

Esse quadro, porém, pode mudar caso a campanha de Gabeira abra espaço para a presença de tucanos com pretensões eleitorais de confronto com o PT, como José Serra e Aécio Neves. Além de tucanos, dirigentes do ex-PFL podem tentar aproveitar a campanha de Gabeira para firmar uma frente e demonstrar coesão entre os partidos. Nesse caso, o PT vai fazer de conta que não viu e não ouviu Paes em 2005.

A avaliação é de Lidberg Farias, no Estadão. Ele é visto como liderança ascendente no PT depois de se reeleger prefeito de Nova Iguaçu com 65% dos votos, superando todas as previsões. O partido ganhou também em Belford Roxo, deslocando a área de influência do PT para a densamente povoada Baixada Fluminense.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PT é o grande vencedor

A avaliação mais aprofundada do resultado da eleição municipal mostra que os partidos aliados ao Planalto, liderados pelo PT, são os grandes vencedores. Se nas capitais e grandes cidades o eleitorado optou pelo voto de confiança nos atuais gestores, nos pequenos e médios municípios o voto foi para a base governista de Lula. E quem mais perdeu foram os partidos de oposição ao presidente, principalmente o ex-PFL. Nesse sentido, os dados relativos ao interior do Brasil confirmam a confiança depositada no governo federal.

A base aliada do governo acumula um crescimento de 20%, totalizando 4.036 cidades sob sua administração a partir do ano que vem. Conforme publica a Folha nesta terça-feira, o PT ganhou 157 novas prefeituras, e totaliza, agora, 545. Em seguida vem o PSB, com 95 cidades a mais. Até o PTB surfou na popularidade do governo e abocanhou 35 prefeituras a mais.

Na outra ponta, o maior perdedor é o DEM, que foi tirado de 176 cidades. Os tucanos saíram de 109 municípios e o PPS, de 70. O Brasil, para quem não sabe, tem 5.515 municípios.

Das 15 capitais onde a eleição foi resolvida no primeiro turno, a base aliada venceu em 12, seis delas com o PT.

Nas grandes cidades, a continuidade

Poucas surpresas na eleição municipal. As maiores delas talvez tenham sido a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo, o "empate" entre Márcio Lacerda e Leonardo Quintão em Belo Horizonte e a derrota de ACM Neto em Salvador. Nem mesmo a chegada de Fernando Gabeira ao segundo turno, no Rio, é uma surpresa, pois as pesquisas já indicavam essa tendência. De modo geral, prevaleceu o desejo de continuidade manifestado pelos eleitores.

A opção do eleitorado se justifica pela sensação de bem-estar proporcionada pela economia, além, óbvio, da força da máquina administrativa. Como observou Cristiana Lobo na Globonews, com o crescimento econômico, as cidades arrecadam mais impostos, os repasses do governo federal são mais generosos e crescem os investimentos municipais. Além disso, as pessoas mostram-se satisfeitas, estão empregadas, a renda cresce, muita gente comprou casa própria, têm carro novo. Tudo contribui para manter as coisas como estão.

Internet
Sensacional mesmo foi poder acompanhar a apuração pela internet. Os sites de notícias prepararam uma forma fácil para ligar o internauta ao sistema dos TREs. Era possível saber o total de votos apurados, com porcentuais da totalização e de cada canditado, de todo o País, instantaneamente. Um show. Os mais velhos lembram quanto trabalho dava contar votos no papel, o exército de fiscais, a demora, os roubos. Até hoje Waldir Pires espera a recontagem de votos de uma eleição para o Senado no começo dos anos 90. Ganhou, mas ACM mandou dar o cargo para seu correligionário.

Os resultados, cidade por cidade, inclusive na eleição de vereadores, podem ser acompanhados no seguinte endereço: http://placar.eleicoes.uol.com.br/2008/1turno/.

Mídia
O conforto proporcionado pela internet compensa, ao menos em parte, o desserviço prestado pelos jornais ao longo da campanha. A cobertura foi sempre pífia e óbvia. Em nenhum momento fugiu do lugar comum. O cúmulo foi ontem, dia de votação, quando a edição da Folha, por exemplo, não tinha uma lista com os locais de votação nem dos candidatos a vereador. Se apostar apenas em análises para conquistar e cativar leitores, está com seus dias contados. Até porque, as "análises" não passam de campanha pró-Kassab.

No ninho
Na semana passada, o comando do PSDB (leia-se José Serra) já convocava para uma reunião nesta segunda-feira, com os coronéis do PFL, Fernando Henrique Cardoso e outros. A pauta do encontro: ratificar o apoio explícito a Gilberto Kassab.

Geraldo Alckmin não foi nem convidado. Ele deverá receber a promessa de candidatura a governador em 2010 e só no ano que vem saberá que não é bem assim. As pressões do PFL e do PMDB de Orestes Quércia serão inevitáveis. Caso Gilberto Kassab ganhe, como indicam as pesquisas, passa a ser forte postulante ao Palácio dos Bandeirantes.

O PFL não vai querer perder sua grande chance de chegar ao governo do Estado. Da mesma forma, será a grande oportunidade para o PMDB assumir a Prefeitura de São Paulo, pois a vice de Kassab é Alda Marcantonio. Serra, que só pensa naquilo, não vai querer arriscar perder o apoio do PFL e ainda sonha com uma aliança com o PMDB em 2010.

Se Kassab sair, Alda assume a prefeitura. O PMDB não governa a cidade de São Paulo desde 1985, quando acabou o mandato de Mário Covas, nomeado por Franco Montoro. Ainda eram todos amigos: Montoro, Covas, Quércia, FHC, Serra etc. E voltaram a ser agora. Para quem não se lembra, Montoro, Covas, Alckmin, FHC criaram o PSDB porque queriam se separar de Quércia, acusado de corrupção e outras malcriações. Agora, nada o desabona.

Quem ganha e quem perde

O PT e José Serra são os grandes vitoriosos da eleição deste domingo. E o PFL é o grande perdedor, embora possa se salvar se ganhar em São Paulo.

O PTelegeu o prefeito de seis capitais - Vitória, Palmas, Recife, Fortaleza, Porto Velho e Rio Branco. Saiu vitorioso também em cidades importantes, como Nova Iguaçu, Americana, Novo Hamburgo, Governador Valadares e Betim, entre outras. Veja análise e quadro numérico no blog de Fernando Rodrigues: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2008-10-05_2008-10-11.html.

Na grande São Paulo, a prometida "onda vermelha" tende a se confirmar. O PT já ganhou em Osasco, Diadema, Itapevi e Carapicuíba. Está no segundo turno em Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá, onde seus candidatos tiveram entre 47% e 49% dos votos neste domingo.

O partido do presidente Lula está no segundo turno também em Salvador, com boas chances de vitória, São Paulo e Porto Alegre, onde Maria do Rosário teve 22% dos votos e assegurou uma vaga. Mas trata-se do pior desempenho do PT em Porto Alegre desde Olívio Dutra. As divisões explicam parte desse mau resultado. Neste ano a esquerda tinha outra forte candidata, Manuela D'Ávila, e foi a primeira eleição municipal com o PSOL.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A crise global no Brasil

Sempre com um olhar político, as análises econômicas dos últimos seis anos apontavam incorreções na condução da política econômica brasileira. Entre as críticas, as que mais ganhavam destaque na imprensa eram sobre a crescente presença do Estado e os ganhos "exorbitantes" dos bancos sob a gestão de Lula, do PT.

O certo esvaziamento das agências reguladoras e um Estado mais palpiteiro e presente na condução da economia constavam da proposta de governo nas duas vezes em que Lula foi o vencedor da eleição presidencial. Ou seja, gostassem ou não os críticos, contou com o respaldo da população, em esmagadora maioria. Quanto aos ganhos dos bancos, tão criticados principalmente pela Folha, agora mostram-se oportunos.

Diante da crise do subprime que corrói as finanças em todo o mundo, especialmente nos EUA, o Brasil continua pretensamente preservado. Isso porque fez a lição de casa nos últimos anos. Aproveitou a maré favorável da conjuntura internacional, ganhou com a valorização das commodities, ampliou as exportações, fez caixa e praticamente quitou sua dívida externa, algo inimaginável dez anos atrás.

A última edição da The Economist, talvez a mais importante publicação voltada ao mundo econômico, apresenta hoje incontidos elogios à economia brasileira. Observa que graças aos cuidados tomados pelas instituições financeiras, que não se atrelaram às hipotecas de alto risco, as tais do subprime, e a independência de crédito estrangeiro estão isolando o setor da crise internacional.

Mas não se vê ninguém, entre aqueles que tanto criticaram o governo Lula nos últimos anos, fazer o mea culpa. Se o governo mantivesse a cartilha do livre mercado, do chamado neoliberalismo, termo que tanto irritou Fernando Henrique Cardoso, se tivesse seguido as regras ditadas por Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg, Merval Pereira, Clóvis Rossi etc, talvez estivéssemos em outra situação.

Ao contrário do mea culpa, colunistas insistem em projetar o Brasil na síndrome do cachorro abandonado. No mesmo dia em que uma das principais publicações sobre economia do mundo aponta as vantagens do Brasil, Miriam Leitão, em O Globo, segue direção contrária. Para ela, sempre simpática aos tucanos e crítica ao governo Lula, o País já entrou na crise, por meio da concessão de crédito "desmetida" dos bancos. Seu orientador de tese: Luiz Carlos Mendonça de Barros, que ocupou vários cargos na gestão FHC, operou a privatização da Eletrobrás e tem na família uma corretora de ações.

Precisa dizer mais alguma coisa?

Não se pretende, aqui, avaliar se o Brasil será ou não atingido pela crise internacional. Óbvio que cuidados adicionais precisam ser tomados e mesmo assim o País pagará parte da conta. O que se quer é apontar as incoerências de "analistas" e setores da mídia, sempre prontos para ver no governo Lula todos os erros que não foram apontados na gestão FHC. Sem papas na língua.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Alckmin fora

Ao que tudo indica, Geraldo Alckmin está fora da disputa pela prefeitura de São Paulo. O segundo turno terá Marta Suplicy contra Gilberto Kassab, reeditando uma guerra entre PT e PSDB na maior cidade do País. O atual prefeito conta com o apoio do governador José Serra e boa parte dos tucanos, que só pensam naquilo, em 2010. E foi em nome dessa estratégia de Serra que o candidato do partido do governador acabou abandonado à própria sorte, como reclamam seus aliados. Mas colunistas e "fontes" de jornalistas vêem em Alckmin o algoz dos tucanos, por ter insistido na candidatura.

Independentemente do fato de ter ou não razão, Alckmin cometeu vários equívocos ao longo da campanha. Como na antiga propaganda de biscoito, resta saber se os cometeu porque já se sentia abandonado ou foi abandonado porque errou às pencas.

Uma imagem que pode marcar a campanha do tucano é aquela que apareceu na capa da Folha de uma segunda-feira, no auge do tiroteio com correligionários favoráveis à candidatura de Josberto Kasserra. Alckmin aparece almoçando sozinho, num bandijão, em pleno domingo. Como se deixou fotografar nessas condições? Por que seus assessores permitiram que os fotógrafos presenciassem aquilo? Nos últimos dias, não raro, as emissoras de TV e as fotos de jornais mostram um Geraldo Alckmin absolutamente isolado, tende de recorrer à filha e à mulher para distribuir panfletos nas ruas. Deixará a imagem de derrotado e humilhado. E calado.

Dois pesos

"Rodízio é menos eficaz do que Prefeitura previa"
"Redução média foi de 11% no pico da noite; secretário esperava até 20%"


A notícia está "escondida" em página interna do caderno Metrópole do Estadão desta quinta-feira. O trânsito é apontado por boa parte da população de São Paulo como o maior problema a ser enfrentado pelas futuras gestões municipais. Para a classe média, público leitor de jornal, talvez seja a questão mais relevante da vida da cidade. Por isso todos os candidatos falam em investimento em transporte de massa, expansão do metrô, novos corredores de ônibus etc.

Pois a criação do rodízio de caminhões foi apontado pela gestão "Kasserra" como a solução para o caos cotidiano do trânsito na cidade. Causou alarde e polêmica. Mas, como se vê, o resultado é pífio. Às vésperas de uma eleição municipal, com o prefeito Kasserra na disputa, os jornais escondem os números. Fico me perguntando o que fariam se a administração da cidade estivesse nas mãos de uma corrente política não tão simpática a esses grupos empresariais.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Curiosidades

Todo mundo que já foi para o Ceará sabe onde fica Aracati - é o município que abriga a famosa vila de Canoa Quebrada. Mas pouca gente deve saber o que significa a palavra Aracati. Está no pai, o Aurélio: vento que sopra de Nodeste para Sudoeste.

PSDB X Geraldo

Como disse a candidata do PT em São Paulo, Marta Suplicy, eu também não tenho nada com isso, mas o que o PSDB serrista fez com Geraldo Alckmin é digno de pena. Muita gente tem dito e escrito que o ex-governador "forçou" sua candidatura e agora está pagando por isso. A proposta de candidatura própria dos tucanos na maior cidade do País foi aprovada por ampla maioria do Diretório do partido, em convenção. Portanto, se havia discordância, ela deveria ter sido manifestada à época. Uma vez tomada a decisão, o partido deveria se unir automaticamente. Não é o que se viu.

Liderados pelo governador José Serra, que só pensa naquilo, agora em 2010, parte do partido apóia Gilberto Kassab e outra parte faz o que sempre fez, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso: fica no muro. Se queria garantir o futuro, Serra pode ter dado um tiro no pé. Em política, porém, nada é certo e tudo pode mudar de uma hora para outra. Desencontro de político é como briga de casal: se você tomar o partido de um lado, pode se ver odiado por ambos.

O que não muda mesmo é o comportamento da imprensa. Durante toda a campanha, tem sido cristalino o apoio a Kassab, principalmente na Folha, com todo mundo querendo proteger Serra, o único, na visão dessa classe, que pode fazer frente ao "lulismo" em 2010. E o ombudsman foge do assunto como o diabo da cruz.

Ganha um doce quem lembrar a última vez que um grande jornal paulista publicou alguma crítica a José Serra. Ao contrário, todo mundo é só elogio, conseqüentemente também para Kassab, de forma a agradar ao governador. Colunistas, como Dora Kramer, muito próxima de Serra, até fazem críticas ao comportamento do PSDB, mas por ver falhas na estratégia para derrubar Lula.

Agora que a vaca de Alkckmin parece ter ido definitivamente para o brejo, os tucanos kassabistas e os muristas acenam com um armistício na segunda-feira, "seja qual for o resultado". Alckmin, que é do interior, tem vaca e frutas no seu sítio, conhece bem a banana. Deveria apresentá-la a Serra e sua turma.